A minha Árvore de Natal

Sempre gostei do Natal.
Desde pequena.

A família não era muito grande, mas mesmo assim, era bem maior do que hoje.

Dividíamo-nos entre a aldeia onde a minha mãe foi criada e a terra do meu pai.
Um ano com a família da mãe, outro com a família do pai.
Eram sempre diferentes.

Na zona do meu pai, Castelo Branco, tinha os meus tios, os meus primos e os meus avós. Íamos ver as fogueiras gigantes que faziam [acho que a tradição ainda se mantém] pelas ruas, e ficávamos ou pela casa do meu primo, ou pela casa do meu tio, ou pela casa do meu avô. Das casas que mais gostava sem ser a do meu primo por ser mais recente e maior e com um elevador enorme para a época, era a do meu avô. [Se bem que tinha um pouco de medo de algumas divisões] Mas a cave fazia os meus dias. A cave, o baloiço, o meu café inventado, o meu pai como cliente da casa com o seu bagaço na mão, assim passava o dia num ápice.
Tínhamos filhoses feitas com açúcar apenas [prefiro as da minha avó Bia e da Inácia que tantas saudades tenho com mel].
Tínhamos arroz doce.
[engraçado que agora que escrevo só me lembro dos doces e dos pratos principais já não]

Com a partida do meu pai e com os meus dez anos o Natal passou a ser apenas na terra dos meus avós, pais da minha mãe. Com a minha prima [minha irmã], com a minha tia e meu tio, e os meus avós e a minha mãe. Nesse ano o Natal foi estranho. Não teve o brilho habitual, não tinha o ananás que o meu pai me mandava todos os anos e dizia que era do meu mano de áfrica. Não tinha os mil escudos que vinham sempre com esse ananás. Mas tinha uma família que se uniu para me fazer esquecer que o meu pai tinha morrido um mês depois de eu fazer dez anos.

Conseguiram. Nesse ano fui a psicóloga que me pediu para fazer um desenho a partir de umas linhas que tinha desenhado. Eu desenhei uma árvore de natal , não sei se por mostrar a união familiar e as saudades que tinha de uma família completa [eu , o pai e a mãe] não faço ideia. E hoje também não quero saber.
Mas quando me lembro do natal recordo sempre a árvore [um espécie de árvore] que desenhei nesse dia.

O Natal continuou com a sua magia peculiar, com as saudades a aumentarem ano após ano, com a partida do meu pai. E como se não bastasse, a minha avó partiu também [ ao que respondo – qualquer dia não preciso de por tantos pratos na mesa – tenho humor negro e uma preguiça enorme para tarefas domésticas, desde sempre mas não para sempre].

A árvore de natal nunca deixou de existir lá em casa.
Fosse em casa do meu avô, na casa da vila dos meus tios, ou na casa da minha mãe. 
E agora na minha casa.



A árvore de natal que mais guardo na minha memória de adulta, foi a árvore do natal de 2012. Que fiz com a R. e o A. Guardo para sempre a alegria da Stromp nessa noite e os sorrisos de uma foto que ficarão para sempre na minha memória.
Infelizmente seria o ultimo natal do A.
[merda da vida].
E infelizmente também seria o ultimo natal do meu tio [merda da vida de novo].

O primeiro natal todo em FAMILIA foi em 2012, com mais um elemento [desta vez um homem, porque somos uma família de mulheres]. Ditou que fosse na minha parte [na casa da vila dos meus tios]. E ainda bem que assim foi, cheio de filetes de polvo e de bacalhau, com arroz de polvo e bacalhau assado na brasa. E depois os doces [sempre tudo à base de ovos moles].

Tudo maravilhoso. 
As prendas trocadas [uma caneta que fica para a minha memória].

Em 2013 fazer a árvore de natal foi muito complicado, complicadíssimo, diria. Por todos os motivos e mais alguns. A mesa era mais pequena, eu ia passar o natal fora de casa e deixar as mulheres da casa entregues ao meu avô.

Em 2014 reavivei a paixão, com a F a ajudar-me durante um jantar na elaboração da árvore.
Sempre pensei que só conseguisse voltar a gostar desta época quando fosse mãe.
Sempre irei gostar do Natal.
Por mim, por nós, por eles.
Por me lembrar ainda mais nesta época deles e sentir que nada que vivemos foi em vão.

O natal não é apenas solidariedade e eventos bonitos para dar dinheiro as crianças que durante todo o ano precisam não é só agora.

No ano passado a árvore foi feita em cima do acontecimento, confesso. Casada de fresco e com um sentido familiar apurado, fiz questão de comprar enfeites novos e nova árvore [que sofreu uma morte por afogamento na garagem este ano].




O natal é família e união. É estarmos com quem nunca, mas nunca nos deixa para trás, seja nos bons momentos, nos maus, e nos menos maus. É estarmos com os nossos. Com a família e com os amigos.

Este ano na nova casa fiz a árvore em família e foi tão bom...



Faltam 16 dias para o Natal!



Beijinhossss,

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2 comentários

  1. Como foi bom ler este texto. Consegui ter diversas emoções ao longo de toda a leitura...confesso que me emocionei um bocadinho. Como uma "árvore de natal" pode contar tanto!!
    Parabéns...chegaste até mim e acredito que até muitas mais pessoas que o leiam.
    Um grande beijinho
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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  2. É verdade Elisa fazer a árvore de natal este ano foi isto tudo . Eu acho que elas são um pouco da nossa história. Obrigada pelo carinho bom ! Um beijinho enorme

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